Cá estou com um sentimento sem definição...
Desejando reconhecer e, ao mesmo tempo, fugindo desta
possibilidade, a fim de não perceber-me vulnerável, frágil, sem domínio sobre o
que estou sentido...
Mais que rapidamente busquei em Galeano, o primeiro uruguaio que me virou a cabeça, o socorro necessário para ajudar a exprimir o sentimento. E lá estava, no Livro dos Abraços:
O medo
Certa manhã, ganhamos
de presente um coelhinho das índias.
Chegou em casa numa
gaiola.
Ao meio-dia, abri a
porta da gaiola.
Voltei para casa ao
anoitecer e o encontrei tal e qual o havia deixado:
gaiola adentro, grudado nas barras, tremendo por causa do susto da
liberdade.
Como não poderia deixar de ser, sempre me rendo, à
Galeano, aos abraços...
Medo de sentir, medo de reconhecer, medo do ridículo,
medo de ser refém do meu imaginário...
Horas depois fico recordando (tornando a passar pelo coração) as palavras que foram ditas...

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