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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

domingo, 8 de janeiro de 2012

descobertas

ontem eu e meu pai fomos à caça da trilha que leva à praia.
saí de bike para encontrá-lo e lá fomos nós, nos embretar, literalmente, no mato.
logo que saímos da estrada e entramos no campo tive as minhas primeiras dúvidas quanto à escolha do calçado, tudo por uma questão de limpeza e trabalho - óbvio, pois calcei meu par de tênis limpíssimos (àqueles que comprei para abandonar o sedentarismo!), e ao pisar na grama molhada pelo sereno da noite com mais um pouco de areia, logo meus pés pareciam qualquer coisa a milanesa, pronto para ser fritado!
- meu tênis limpo... murmurei, olhando o desaparecido sob a areia... e eu nem sabia o que me esperava.
caminhamos na direção 'que os surfistas vão', como disse meu pai.
- eu vejo o Israel vindo por aqui, me disse. - (o Israel é o vizinho de fundos na casa dos meus pais).
- ok, se tu diz e viu... - mas o Galo (outro vizinho) me disse que a trilha melhor é aquela do outro lado, que não é tão íngreme, mas agora que estão mexendo no terreno (construíndo um big condomínio) não dá mais para ver o caminho da trilha.
seguimos a trilha com a vegetação mais baixa. Logo acaba a vegetação e nos deparamos com as dunas...
- pai, tem um monte de pegadas aqui, mas acho que são de boi ou cavalo...
- é por aqui, é por aqui, eu já vi...
subimos dunas, descemos dunas até avistar o Rio Vermelho (rio que dá nome ao bairro), pequeninho, é quase um valetão.
- ih pai, acho que a gente não vai chegar na praia, hem?! olha ali, aquilo é um pântano, e só tem pegada de gado por aqui...
- olha, ali embaixo tem um pontilhão - me avisa e avisto algo como uma tábua sobre o rio.
segui por uma trilhazinha em direção à ponte e logo voltei, falando baixinho, quase murmurando: - vamos voltar, tem gente ali embaixo no meio do mato... acho perigoso.
(este sempre foi o meu maior receio - não temos como saber quem vamos encontrar numa trilha)
- sei lá, acho que tão fumando uns baseados... mas a essa hora?! - eu sou a pessoa que acha que existe hora para certas coisas!
voltamos e resolvemos margear a vegetação até encontrar a tal trilha que tinham me explicado, lá do outro lado...
depois de muito andar e afundar na areia, passamos por uma cerca, achamos uma trilha e uma ponte.
depois da ponte atravessamos uma espécie de pântano, com direito a pranchas quebradas fazendo vezes de passarela, até chegar nas dunas. Pronto, agora o tênis estava um espetáculo, molhado, com lodo e areia seca!
- na próxima vez vamos vir de chinelo, pai, e nas dunas andamos descalços...
Subimos, descemos, encontramos verdadeiros canteiros de orquídeas (umas que são bem pequenas - eu até já soube o nome, mas não lembro mais).
O barulho do mar cada vez mais forte e, ainda sem ver a praia, o avistamos no horizonte.
Mais um pouco de caminhada e chegamos na estrada que corta o parque do Rio Vermelho. Em meio as árvores e a vegentação de restinga, a areia e a praia - lindo, lindo!
com a praia ainda deserta, fomos colocar os pés na água.

a volta foi muito mais tranquila, e percebemos que estamos muito próximos da praia, e que podemos fazer a travessura, digo, a travessia mais vezes!
uma bela descoberta de paisagens e sutilezas da natureza, pena que sem registro visual, pois ainda estou sem máquina fotográfica!, e de outras descobertas, estas sobre mim:

se a gente não se expõe a fazer coisas que nos retiram da rotina e do trivial, criamos muitas cracas.
 
voltei tão feliz da caminhada pela trilha com meu pai, que tive vergonha da minha preocupação com o meu tênis. na próxima vez, vou de tênis pela segurança, e ele vai direto para o tanque quando eu chegar em casa, e eu espero que seja por muitas vezes!


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