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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

domingo, 10 de julho de 2011

livros, exercício do desapego, e outras neuras...

eu tenho uma coisa com livros
minha perdição é uma livraria
se tivesse grana, consumiria muito
tenho desejo de ter livros
uma compulsão
é uma coisa meio besta, eu sei...

lembro que quando criança
na casa dos meus tios tinha um quarto que funcionava como uma biblioteca
eu adorava ficar lá
as capas dos livros
o cheiro
a atmosfera,
tudo aquilo me seduzia...

meu sonho de consumo: uma mega estante cheinha de livros

outra mania são os meus recortes
pedaços de artigos
reportagens
páginas de alguma revista
tudo o que eu acho que tem utilidade para o meu trabalho
eu guardo em envelopes, caixas...
e assim, vou me atulhando de papelada...
vez em quando preciso fazer uma 'faxina'
e isso demora,
porque ao fazer a triagem, eu leio, bisbilhoto, reflito:
- isto aqui já era, vai para a reciclagem...
- hum, esse é atualíssimo, muito bom, volta para a caixinha...
e assim passo um dia inteiro
nesta atividade fascinante de desapegar e aprender

agora já consegui me desapegar de muitas coisas
pasmem, eu tinha guardado até pouco tempo os cartões dos meus 15 anos
fora de época - no mínimo -
hoje questiono os significados que nada significam
fazendo uma terapia invertida
tudo por conta do desapego
- estou guardando isso por quê, mesmo?!

eu tento entender atitudes que tive no passado
compreender o que me levava a agir de determinada forma
e claro que isso vai muito além de livros, recortes, cartões...
vira um divã!

eu fiz um curso de socioterapia lá nos idos de 2000...
era meio zen, meio doido, tinha uns exercícios para fazer o ente pensar fora da caixa,
sair da casinha

um deles me ajudou muito
tínhamos que levar para o curso algo que gostasse muito, muito, muito...
- levei o meu Livro dos Abraços - do Galeano.
quando chegamos no curso (era em Curitiba)
soubemos que teríamos que dar, entregar aquilo que era tão importante
susto total na mulherada e no único homem da turma
(homens raramente estão enfiados nestes cursos zen)
ao final, depois de entregarmos nosso objeto de tanto gosto, podíamos pegá-lo de volta

experimentei o gosto de desapegar
e resolvi deixar o meu Galeano,
na condição de que livre, muitas pessoas pudessem conhecê-lo

melhorei muito na minha relação de apego
tento ser mais seletiva e vez em quando faço a 'faxina'

o Galeano, porém, não demorou muito, corri e comprei outro
pois é tão lindo
que sempre que leio
nunca é o mesmo

como disse Quintana
nunca dês um nome a um rio
é sempre outro rio a passar...

assim como eu, quando leio o livro,
a leitura é feita pela mesma pessoa
porém, acrescida de outras experiências
que trarão um novo olhar
e o texto será novo,
de novo e sempre!



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