O inusitado aconteceu...
Essa semana (12 a 16 de abril) ficaríamos hospedadas em um hotel decente. Um com quase todos aqueles pontos que listei em um post anterior...
Porém, ao chegar, fomos agraciadas com a notícia de que o quarto a nós destinado ainda estava ocupado, porque o hóspede que deveria ter saído estava internado no hospital. E que o hotel estava lotado.
E tem àquelas coisas legais de que não é possível retirar as bagagens da pessoa, pois pode gerar processo, etc, etc...
- Ok. Para onde vamos?
- Bem encaminharíamos vocês para o hotel X, mas está lotado, então reservamos o hotel Y.
- Céus, eu não acredito... o hotel Y eu detesto e havia jurado não ficar naquele hotel nunca mais.
Fomos para o Y.
Vou abrir o parêntese para explicar minha indignação hoteleira:
(Eu já havia retirado este hotel da minha lista de possibilidades, pois está decadente, você percebe isso na limpeza que não é adequada, nas paredes sujas e cheia de cantinhos quebrados, no estofado das cadeiras, no rejunte encardido do banheiro, nas toalhas que começam a ficar ‘fininhas’, enfim, são vários os indícios que comprovam que o hotel foi momentâneo, ou seja, foi bom enquanto o primeiro enxoval durou. Além de alguns aspectos arquitetônicos e de engenharia nem um pouco louváveis, uma invenção de decoração moderna que hoje é deprimente (por isso sou defensora dos clássicos, que não destoam com o passar das modas). Hospedei-me lá em uma ocasião e que eu jurara então, ter sido a última.
Foi assim... na recepção, a primeira decepção: o rapazinho ficou me olhando abrir o bagageiro do carro e retirar as malas, com chuva, e nada...
O quarto que me foi designado possuía uma sacada enorme, quase maior que o próprio quarto, um verdadeiro terraço, com um muro de 1 metro separando uma sacada da outra, e com o detalhe de que a porta de vidro para a sacada não fechava.
Chamei a recepção e solicitei para trocar de quarto caso não fosse possível consertar a porta. O rapaz que veio averiguar a porta teve o disparate de me dizer que eu não precisava me preocupar, pois a altura da sacada até o térreo era muito alta, e que só o Homem Aranha poderia subir ali.
Pausa. Nessas horas você não sabe se ri ou chora de raiva, porque essa resposta é ridícula, ele não tem que achar se o Homem Aranha vai ou não vai subir pela sacada, ele simplesmente precisa assegurar que a hóspede do hotel sinta-se segura e durma num quarto que a porta da sacada fique trancada.
Mudei de quarto.
Claro que a primeira coisa que fiz foi conferir a sacada, imediatamente.
Entro no banheiro para o check e... oh, oh... papel de drops sobre a pia. Interrogação? Esse banheiro foi de fato limpo?
Depois, ao lado da TV uma bolinha de papel, embrulhadinha (como as pessoas costumam amassar para jogar no lixo).
Nem penso duas vezes e abro o papel: uma nota fiscal da compra de um par de meias e uma cueca, com data do dia anterior.
Perfeito, agora já sei que o hóspede anterior era do sexo masculino, precisou comprar uma cueca e um par de meias...
Já disse mil vezes, um hotel tem o compromisso de fazer com que o hóspede imagine que ele é o primeiro a habitar as instalações. Encontrar resquícios de outra pessoa não é legal...
Essa experiência selou minha decisão de não voltar ao hotel).
Porém, o destino fez com que tivéssemos mais uma experiência naquele lugar... e nada feliz.
Como estávamos indignadas x 5, já que a nossa reserva no outro hotel que nos despachou havia sido feita com antecedência de duas semanas, além de que nos hospedamos lá no mínimo 1 vez por mês no último ano, tudo, qualquer coisa seria um terrível agravante para detestarmos a estada no hotel Y.
Primeiro: o hotel é um flat. Os apartamentos dispõem de uma escada caracol de ferro, inconveniente e barulhenta para quem usa salto alto e precisa carregar peso. Ao entrarmos no quarto, o detector de odores entrou em ação: cheiro detestável de cigarro impregnando o ambiente. Imediatamente liguei para a recepção: - Estou no apto. xxx, pode-se fumar neste ambiente?
A resposta infeliz, um sonoro SIM. Com o adicional: no quarto a senhora pode fumar.
- Desculpa querido, sempre ficamos em quarto para não fumantes. É possível providenciar? E de preferência um que não tenha essa escada.
Uma chance para adivinhar para onde fomos?
Para o famigerado andar dos quartos sem escada e com as sacadas gigantes.
- Favor testar a porta.
Primeiro detalhe, a cortina não subia, o rapaz travou uma luta corporal para fazer a cortina subir até a metade da porta. Ok, porta trancada.
A cortina era uma coisa indescritível... um blackout e um bandô retorcido. Imagine um pano cheio de poeira que pegou água da chuva e assim secou. Essa era a visão do bandô.
Segundo: azulejo do banheiro tenebroso de tanto mofo e que a mocinha da limpeza informou que não adiantava limpar, estava encardido mesmo.
Terceiro: sem secador de cabelo e para a ligar a TV era um mistério. Apertar o botão e ficar esperando, esperando...
Quarto: conexão com a internet não funcionou.
Quinto: no segundo dia o sobrelençol das duas camas havia desaparecido e, sexto, não recolocaram o papel higiênico. Nem daria nem pra ligar do vaso sanitário para chamar o Alfredo, pois esse banheiro não tinha fone.
Sétimo: pão com alho no café da manhã sem identificação. E é claro que eu peguei o dito, passei manteiga e mel, mordi e desisti, do pão, do café...
Oitavo: iogurte passado, estragado...
Enfim, nunca desenvolva visão apurada para detalhes, é sofrimento na certa.
Claro que tive uma conversa telefônica com o gerente do hotel nº 1, aquele que nos despachou para viver a experiência. A única coisa que pude lhe dizer de sensato é que não volto a me hospedar com eles jamais, e que ele tem uma funcionária que merece nota 10, pois ela sabe como cativar clientes.
É, esse negócio de hotel não é fácil. Não dá para contratar as pessoas que não possuem a mínima noção do que o cliente espera deste serviço e não prepará-las para isso. E pior, ou você tem um gerente competente que acompanha a sua equipe, a desenvolve, ou então, é insatisfação na certa.
Gestão. Uma palavrinha. Mas com um arcabouço de significados e atitudes...

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