Essa semana, rindo de mim, de mais uma das muitas situações inusitadas que vivemos por conta das viagens a trabalho, resolvi escrever sobre esses momentos que nos causam, muitas vezes, um stress danado, mas depois rimos a valer...
De várias situações hilárias (como diz uma colega, o bom é que eu consigo rir da desgraça), algumas são quase inacreditáveis...
O que caracteriza um bom hotel?
Bem, os hotéis devem ter como premissa primordial (mesmo que isso seja uma ilusão) fazer com que o cliente pense que ele é o primeiro a habitar aquelas instalações. Isso significa que não deve ter resquícios do hóspede anterior.
Parece totalmente óbvio, mas nem sempre é.
- Se apresentar roupas de cama impecávelmente brancas, ponto positivo;
- Se a coberta for edredon branco com capa branca, mais um ponto (apesar de saber que isso é quase um luxo);
- Se ao entrar no quarto o cheiro for agradável, sem cheiro de mofo ou de algum produto semelhante a talco, mais um ponto;
- Se o banheiro for limpo (preferência louças brancas que não escondem sujeira), mais um ponto;
- E se as toalhas não estiverem puídas, outro ponto;
- Se as pessoas que trabalham no hotel forem gentis e profissionais, mais um ponto;
- Se servir comidinhas saborosas, mais um ponto.
Vamos ao evento!
Certa feita eu e MJ tínhamos uma semana toda fora de casa em uma determinada cidade, aqui pelos interiores do Estado. O resumo dessa estória é que trocamos de hotel três vezes em uma semana.
Começou assim: Chegamos no hotel nº1 ao final da tarde, início da noite de uma segunda-feira. Ao entrarmos no estacionamento do hotel, já vi um filme de terror, pois estávamos no único carro do estacionamento.
É lógico que o primeiro pensamento foi:
- Será que é tão ruim que ninguém fica aqui?
Estacionei e ninguém apareceu para ajudar com as malas.
Eu e MJ desembarcamos e começamos a tirar as 509 bagagens, pois seria uma semana de trabalho, e não dava para deixar os equipamentos no carro, naquele local ermo.
Na recepção, uma jovenzinha (talvez uns 17 anos) com uma voz bem fininha e toda atrapalhada.
Preenchemos aquela fichinha de identificação e resolvemos perguntar se ela podia nos indicar algum lugar para comer.
Mocinha do hotel: - Vocês querem comer tipo o quê?
Pensei, como assim, comer o quê?
Eu: - Tipo comida!
Mocinha do hotel: - Tipo churrasco, maionese?
Fiz um esforço absurdo para conter o riso, pois a MJ não comia carne vermelha.
Eu: - Acho que não, carne é meio pesado agora à noite...
Mocinha do hotel: - Tem o ‘Irmão da Estrada’ aqui perto, é um restaurante com espeto corrido.
Estes são os momentos ótimos, porque você faz cara de paisagem por educação, mas tem vontade de explodir numa gargalhada. Já imaginei eu e a MJ chegando no ‘Irmão da Estrada’, pedindo um espeto corrido... (rs,rs,rs,rs)
Disse que não, que iríamos pedir um lanche de tele-entrega. Saímos da recepção e eis que o hotel parece uma escola, com corredores internos abertos e só escadas íngremes de acesso.
Eu e MJ, literalmente parecendo duas mulas de carga, carregando aquela parafernália de malas e bolsas começamos a subir a escada. Quando estávamos nos últimos degraus, a mocinha da recepção perguntou com a sua voz fininha:
Mocinha do hotel: - Querem ajuda?!
Vontade sórdida de atirar aquelas malas escada abaixo, pois a criatura era muito inóspita e nada antenada para estar na recepção de um hotel. É claro que queríamos ajuda, mas não depois de ter subido toda a escadaria.
Chegada ao quarto e aquela visão nada feliz do local que você vai passar à noite: cheiro de mofo, roupa de cama esquisita.
Arrumamos as coisas e eu fui ligar para todas as possibilidades comestíveis da lista telefônica. Nenhum deles atendeu, e então lembrei que na segunda-feira é bem difícil encontrar esses estabelecimentos abertos.
Liguei para a recepção, perguntei se tinha algum lanche que poderia ser servido.
Mocinha do hotel: - Tem pizza congelada, de brotinho.
Consegue imaginar que delícia de comida deveria ser esse brotinho?!
Eu: - Qual sabor?
Mocinha do hotel: - Tem de calabresa.
Céus, nem eu nem MJ comemos calabresa!
Eu: - Ah, não... não comemos calabresa.
Mocinha do hotel: - Eu posso pedir para o meu patrão trazer uma pizza pra vocês...
Credo, o patrão trazendo a pizza...
Eu: - Ah, pode? Que bom, então, por favor, metade frango e metade rúcula com tomate seco, sem borda e sem catupiri.
Mocinha do hotel: - Rúc, o que? (com total espanto)
Eu: - Rúcula com tomate seco (tentando ser educada)...
Como ela não entendeu o que era rúcula, solicitamos somente frango, já seria bom, porque estávamos com muita fome.
Ok. Pedido realizado, era só esperar.
Esperar, esperar... 40 minutos depois toca o telefone.
Mocinha do hotel: - eu ainda não consegui falar com o meu patrão...
óh, que pena... Digno de enlouquecer, não?!!
Saímos e viajamos 20 km até a cidade vizinha para jantar. Na manhã seguinte fechamos a conta e nos mudamos para outro hotel.
A mocinha do hotel: - Vocês não vão ficar até sexta-feira?

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