Arquivo do blog

Quem sou eu

Minha foto
Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

domingo, 28 de março de 2010

Comédia da Vida Corporativa - Hotéis Parte II

O hotel do dia seguinte ficava num local mais aprazível, no alto de uma colina (nossa, parece que estou escrevendo um romance!), rodeado de gramados e árvores.

Mais uma vez estacionamos e nem uma alma para ajudar com as bagagens.
Puts, depois de um dia de trabalho daqueles, interagindo com grupos, a cabeça a mil, salto alto, os pés moídos...

Mas o que pensam essas criaturas? O hóspede chega e precisa se matar para carregar as coisas sozinho?!

Indignei-me e entrei na recepção, com fiapos de compostura:


- Tu podes fazer a gentileza de me auxiliar com as bagagens? Já mudei de hotel por conta do péssimo atendimento, espero, pelo menos, que o tratamento aqui seja melhor.

Pronto, quem esquece a educação só se dá mal. Bastava solicitar ajuda, não precisava soltar as patinhas no rapaz.

O rapaz ajudou com as bagagens e foi pegar a chave do quarto.

(A chave do quarto é uma espécie de indicador de qualidade do hotel. Ela demonstra a atualização do estabelecimento. Se for uma chave cartão magnético, as chances de encontrar um local adequado são maiores.
Há as excessões, claro. O hotel do meu coração, por exemplo, não tem chave cartão magnético, e tem todos os pontos mencionados no post anterior, com louvor e estrelinhas!)


Quando o rapaz pega a chave e sai detrás do balcão, ninguém tem noção... A chave parecia uma chave de fenda gigante. Devia ter uns 30 centímetros.


Fiquei roxa, controlar o riso era algo quase sobrehumano. Fomos caminhando por um longo corredor térreo (este parecia um hospital, diferente da escola), com azulejos amarelos nas paredes e imensos ladrilhos no piso. Eu e a MJ batendo um papo furado, ambas loucas para rir daquela chave.


Chegamos diante da porta e o rapaz introduz a chave (gigante) na fechadura e a porta se abre.

Inacreditável. A espessura da porta era do tamanho da chave, e ainda tinha algo semelhante a um carpet colado na borda, meio cor de ocre, parecia uma cabine audiométrica.


Pensei, deve ser um quarto a prova de som!


Tudo bem, dispensamos o rapaz que devia estar 'p' da vida comigo, pela minha delicadeza na abordagem inicial.


Diante da longa experiência, iniciamos o pente fino de reconhecimento hoteleiro:
O banheiro era um quarto de banho, de tão grande, as paredes eram forradas de azulejos que chegavam a dar dor de cabeça aquele amarelão.
A toalha de banho era um pouco maior que um pano de prato, a espessura também, devia estar ali desde a fundação. Um primor...

Um guarda-roupas com dois cobertores futrecas, mais parecia uma mantinha.
A roupa de cama era tão puída que parecia que a qualquer movimento se desmancharia. Tive que dormir e acordar na mesma posição, sem cobrir os pés, pois, para não encostar no cobertor, usamos a técnica de virar a borda do lençol muito mais que o habitual. Como se criasse uma zona de proteção para não encostar no cobertor.

Resolvi abrir a janela do quarto, para averiguar a parte externa e depois, para meu infortúnio, não conseguia fechar aquele monstro de madeira verde... passei o maior trabalho.

O único ponto positivo deste hotel foi a comida.

Primorosa, diga-se de passagem.


No dia seguinte, fechamos a conta e rumamos para a cidade vizinha, para o hotel do coração!

Neste hotel você chega e sempre alguém corre para ajudar com as malas.
As pessoas fazem com que você se sinta em casa de verdade.
Não tem restaurante, mas se vc. pedir um lanche, o hotel disponibiliza a louça e todos os cuidados necessários para que tudo saia 100%.
Quando você chega no quarto, há uma térmica de água quente com sachês de chá e uns biscoitinhos. Às vezes, pode ser um waffer daqueles da casa da vó, uma delícia!

O edredon é fofo e cheiroso, tudo é limpinho e bem cuidado. As roupas de cama e travesseiros descansam ao sol durante o dia, e, mesmo que tudo neste hotel seja muito antigo, tudo funciona perfeitamente e da melhor forma possível.
O café da manhã é o melhor que existe.
Lamento que seja único, mas é um exemplo de hotel a ser seguido.






Nenhum comentário: