O hotel do dia seguinte ficava num local mais aprazível, no alto de uma colina (nossa, parece que estou escrevendo um romance!), rodeado de gramados e árvores.
Mais uma vez estacionamos e nem uma alma para ajudar com as bagagens.
Puts, depois de um dia de trabalho daqueles, interagindo com grupos, a cabeça a mil, salto alto, os pés moídos...
Mas o que pensam essas criaturas? O hóspede chega e precisa se matar para carregar as coisas sozinho?!
Indignei-me e entrei na recepção, com fiapos de compostura:
- Tu podes fazer a gentileza de me auxiliar com as bagagens? Já mudei de hotel por conta do péssimo atendimento, espero, pelo menos, que o tratamento aqui seja melhor.
Pronto, quem esquece a educação só se dá mal. Bastava solicitar ajuda, não precisava soltar as patinhas no rapaz.
O rapaz ajudou com as bagagens e foi pegar a chave do quarto.
Mais uma vez estacionamos e nem uma alma para ajudar com as bagagens.
Puts, depois de um dia de trabalho daqueles, interagindo com grupos, a cabeça a mil, salto alto, os pés moídos...
Mas o que pensam essas criaturas? O hóspede chega e precisa se matar para carregar as coisas sozinho?!
Indignei-me e entrei na recepção, com fiapos de compostura:
- Tu podes fazer a gentileza de me auxiliar com as bagagens? Já mudei de hotel por conta do péssimo atendimento, espero, pelo menos, que o tratamento aqui seja melhor.
Pronto, quem esquece a educação só se dá mal. Bastava solicitar ajuda, não precisava soltar as patinhas no rapaz.
O rapaz ajudou com as bagagens e foi pegar a chave do quarto.
(A chave do quarto é uma espécie de indicador de qualidade do hotel. Ela demonstra a atualização do estabelecimento. Se for uma chave cartão magnético, as chances de encontrar um local adequado são maiores.
Há as excessões, claro. O hotel do meu coração, por exemplo, não tem chave cartão magnético, e tem todos os pontos mencionados no post anterior, com louvor e estrelinhas!)
Quando o rapaz pega a chave e sai detrás do balcão, ninguém tem noção... A chave parecia uma chave de fenda gigante. Devia ter uns 30 centímetros.
Fiquei roxa, controlar o riso era algo quase sobrehumano. Fomos caminhando por um longo corredor térreo (este parecia um hospital, diferente da escola), com azulejos amarelos nas paredes e imensos ladrilhos no piso. Eu e a MJ batendo um papo furado, ambas loucas para rir daquela chave.
Chegamos diante da porta e o rapaz introduz a chave (gigante) na fechadura e a porta se abre.
Inacreditável. A espessura da porta era do tamanho da chave, e ainda tinha algo semelhante a um carpet colado na borda, meio cor de ocre, parecia uma cabine audiométrica.
Pensei, deve ser um quarto a prova de som!
Tudo bem, dispensamos o rapaz que devia estar 'p' da vida comigo, pela minha delicadeza na abordagem inicial.
Diante da longa experiência, iniciamos o pente fino de reconhecimento hoteleiro:
O banheiro era um quarto de banho, de tão grande, as paredes eram forradas de azulejos que chegavam a dar dor de cabeça aquele amarelão.
A toalha de banho era um pouco maior que um pano de prato, a espessura também, devia estar ali desde a fundação. Um primor...
Um guarda-roupas com dois cobertores futrecas, mais parecia uma mantinha.
A roupa de cama era tão puída que parecia que a qualquer movimento se desmancharia. Tive que dormir e acordar na mesma posição, sem cobrir os pés, pois, para não encostar no cobertor, usamos a técnica de virar a borda do lençol muito mais que o habitual. Como se criasse uma zona de proteção para não encostar no cobertor.
Resolvi abrir a janela do quarto, para averiguar a parte externa e depois, para meu infortúnio, não conseguia fechar aquele monstro de madeira verde... passei o maior trabalho.
O único ponto positivo deste hotel foi a comida.
Primorosa, diga-se de passagem.
No dia seguinte, fechamos a conta e rumamos para a cidade vizinha, para o hotel do coração!
Neste hotel você chega e sempre alguém corre para ajudar com as malas.
As pessoas fazem com que você se sinta em casa de verdade.
Não tem restaurante, mas se vc. pedir um lanche, o hotel disponibiliza a louça e todos os cuidados necessários para que tudo saia 100%.
Quando você chega no quarto, há uma térmica de água quente com sachês de chá e uns biscoitinhos. Às vezes, pode ser um waffer daqueles da casa da vó, uma delícia!
O edredon é fofo e cheiroso, tudo é limpinho e bem cuidado. As roupas de cama e travesseiros descansam ao sol durante o dia, e, mesmo que tudo neste hotel seja muito antigo, tudo funciona perfeitamente e da melhor forma possível.
O café da manhã é o melhor que existe.
Lamento que seja único, mas é um exemplo de hotel a ser seguido.

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