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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

meu amigo Lã...e as escolhas profissionais!

Para minha surpresa, depois de muito, muito tempo, meu amigo Lã postou o depoimento que fiz prá ele no Orkut. E isso me levou a bloggar aqui...

O Lã é um amigo sui generis.

Nós nunca nos visitamos, nossos encontros sempre foram casuais, exceto o primeiro, que foi combinado, marcado... Local: escadaria da Catedral de Floripa.

O Lã, que eu chamei de EU durante muitos anos, é especialíssimo!

Vim para Floripa a primeira vez em 1990, para conhecê-lo pessoalmente.
Nós nos correspondíamos (primórdios da amizade virtual) desde 1985, eu creio. Eu tive muitos amigos por correspondência na infância, adorava a seção de troca de correspondência da Revista da Mônica, e nem precisa ir muito longe, eu e a Fabi trocávamos correspondência pelos Correios, morando na mesma cidade e estudando na mesma sala!... e quando eu viajava nas férias de julho (áureos tempos, mesmo que fosse para Itapiranga) também nos correspondíamos e até chorávamos de saudades!
O Lã era amigo por correspondência da Fabi (tinha na época uma seção de correspondência no jornal, acho que era da Zero Hora), e um dia eu desenhei na carta que ela estava escrevendo prá ele (no balcão da loja da Tania). Quando veio a resposta, ele me convidou para ser sua amiga também.Pronto, iniciava ali algo inédito na minha vida.

O Lã assinava as cartas como EU, e no remetente também.
Quando eu enviava as cartas para ele, o destinatário sempre era: EU, a remetente: Lô.

No decorrer destes anos, recebi via Correios, disco do Dante Ramon Ledesma de aniversário, para virar fã para sempre, fita K7 (até hoje tenho guardada!) com músicas do Milton, Secos & Molhados, Caetano, Elis, Ney Matogrosso... e cartas, muitas cartas!

Letras de música e poesias lindas, as mais lindas de Drummond... tudo papo cabeça, altamente reflexivo...Então, um dia, resolvemos nos conhecer pessoalmente.

O Lã estava fazendo Ciências Sociais na UFSC e eu vim prá Floripa.
Tudo muito louco, desde chegar em uma cidade desconhecida, sozinha, sem nem saber prá qual lado ir quando saísse da rodoviária, encontrar o endereço da minha prima, pegar bus na hora do rush e encontrar com ela dentro do bus, sem combinar!

Nesta época, minha referência geográfica era uma mapinha miserável num velho guia 4 Rodas, que dava a impressão pelo desenho pequeno, que a Joaquina era mais ou menos onde fica o Hospital de Caridade!
Dia do encontro: escadaria da Catedral.

Aquela pessoa insólita sentada nos degraus, totalmente irreverente.
É muito engraçado conhecer alguém que você não conhece pessoalmente, mas que conhece durante anos.
Fomos passear de pantufa no museu Cruz e Sousa, esquadrinhar o centro de Floripa, com chuva e guarda-chuva!...

Meu amigo EU insistiu para que eu me inscrevesse no vestibular da UFSC.
Minha opção: longe de casa, sem ninguém prá dizer o que seria certo ou errado, se eu iria morrer de fome ou não com a minha escolha, adivinhe o que eu queria fazer?!
- Artes Cênicas.
Não, não tinha essa opção na época(UFSC)...
- Comunicação Social, então (eu pensava que podia ser RP ou P & P).
Não, só tinha Jornalismo. Esse eu não queria...
- O que mais temos de Social aqui?
Lembro perfeitamente de estarmos na agência dos Correios da Praça XV, olhando a lista dos cursos.
- Tem Ciências Sociais e Serviço Social.
Lã orientou:
- Ciências Sociais não, tu vai pirar, não leva jeito...
- Então vou me inscrever neste aqui, Serviço Social.

E assim, fiz minha escolha para a formação profissional!
Quanta coerência!!!

Voltamos ao Lã...
Quando comecei o curso, a gente não se encontrava, eu estava num lado do campus e ele do outro, e depois ele trancou o curso, acho que foi prá Bahia. Ficamos um tempo sem nos falar (digo, escrever).
Depois, foi a minha vez de trancar o curso.
Um ano e meio depois, quando voltei para fazer meu pedido de retorno, quem encontro na calçada de acesso ao Centro Sócio Econômico?
A figura, na versão cabelos longos e barba no peito. A gente sabia que era amigo, que sempre um podia contar com o outro, mas não ficávamos andando juntos... a gente se falava quando se via.

Um tempo sem se ver e encontro o Lã no RU na versão cabeça raspada (acho que ele estava meio inconstante na época... culpa das Ciências Socias!!)
E depois, anos, muitos anos, mais uma vez 'nunca mais' encontrei o Lã.

 
Até que um dia super corrido, saí de um elevador e...: Lã!!!

Essa pessoa foi um marco na minha vida, mesmo à distância, lá nos meus 13 anos, fez com que eu refletisse sobre muitas coisas que eu nem imaginava, me ensinou a apreciar nomes da música e poesia, a ser crítica, a olhar os dois lados da moeda, a viajar nas histórias loucas de um rapaz que sempre desenhava um morro saindo fumaça no final das suas cartas... e também foi o anjo gauche (totalmente gauche) que surgiu num desenho, e esse rabisco influenciou a estória da minha vida.

Lã sempre escrevia um pedaço da música de Milton no final das cartas:
Amigo é para se guardar no lado esquerdo do peito,
mesmo que o tempo e a distância, digam não...
qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar!
 
Nos encontramos de verdade, e o tempo e a distância nunca foram 'nada'. Pois já se passaram 26 anos dessa história! Agora, repito Drummond, só para lembrar que a ausência nunca foi falta!

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

É, a vida é uma surpresa!
Uma bela surpresa!
 

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