Estou apreensiva com o momento que estamos vivendo...
Confesso: sempre tive muita dificuldade com questões políticas, nunca simpatizei com a ideia de escolher pessoas pelo partido.
Na minha parca e pollyannística visão de mundo, a índole da pessoa, sua história (ou o que poderia se saber dela) sempre foi o mais importante na hora da escolha, exceto quando meu voto foi cabresto, votando naquele que os "próximos" votavam, lá nos idos de 80 e início dos 90.
Dá para imaginar que, se a memória não falha, depois de tomar um pouco de consciência, nunca elegi ninguém.
Eu penso que não deveria existir partido.
Partido toma partido.
Leva as coisas para um patamar complexo e perigoso de quem partilha de um lado, e de quem partilha de outro lado.
Falando em lados, vejo um muro. Eu fico em cima do muro, vendo o que escolher de um lado e do outro lado.
Um lado se vê mocinho e vê o outro lado como bandido. E vice versa.
Temos visões distintas para o mundo, uns prezam por um jeito, outros por outro jeito.
Isso é tão óbvio que soa ridículo.
Porém, me pergunto: - Será que estamos em tempos de nos dar ao luxo de jeitos? - Será que não deveríamos pensar sobre o que precisamos?
Novo conflito:
- Pensar sobre o que precisamos vai conforme o doce (ou amargo) ponto de vista de quem olha.
O sem teto vai pensar num teto. O ultra hiper milionário vai pensar em como ter liberdade para expandir suas divisas. O com teto sem ser ultra hiper milionário vai pensar como? Em criar condições para trazer o sem teto para a sua condição ou angariar condições de se tornar o ultra hiper?
- o que é possível fazer?
- o que é viável?
Já aprendi também que, dependendo de quem tem poder, ser viável é algo que não conta muito, haja vista, por exemplo, o desaparecimento das florestas em nome da expansão de um negócio (R$), e tudo isso num "custo vida/impacto ambiental" inimaginável.
E por aí vai, vamos vilipendiando a vida e suas formas, vamos pensando e testando maneiras de ir para outros planetas, de encontrar mecanismos de reproduzir o que temos aqui e - rufem os tambores - negligenciando toda a forma de vida que temos.
Esquecemos o aqui e agora. O que preza o aqui e agora?
- Desculpa aí, mas queria avisar que a "aeronavespacial" que leva as pessoas para outro planeta é pequena é custa um dindim do caramba!
Não vai dar para todo mundo!
- Será que não daria para sentar, dialogar e ficar bom para todos?
Até eu já rio de mim!
- Eloisa - de braços açucareiro - sabes que isso é para lá da utopia?!!! É além de Marrakesh. Isso é o lugar que não existe!!!
Diz a lenda que ela existe - a utopia - e existe para caminharmos, para que possamos buscá-la. Seria essa a nossa evolução humana, inclusive. Evolução humana que preza o humano e todas as suas condições de existência.
Quanto pano para a manga. Então descobri que um monte de caras que eu curtia ler e que eu ficava citando eram vistos como uns caras meio subversivos, os caras do contra, esses caras que ficam "viajando", querendo construir um mundo que não existe.
- Opa... tenho dúvidas sobre quem viaja e sobre qual mundo que não existe e não é viável está se querendo construir.
- Você está muito Lennon, Eloisa!
Imagine que não há paraíso / É fácil se você tentar / Nenhum inferno abaixo de nós / Acima de nós apenas o céu / Imagine todas as pessoas / Vivendo para o hoje / Imagine não existir países / Não é difícil de fazer / Nada pelo que matar ou morrer / E nenhuma religião também / Imagine todas as pessoas / Vivendo a vida em paz /
Você pode dizer / Que sou um sonhador / Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia / Você se juntará a nós / E o mundo será como um só
Imagine não existir posses / Me pergunto se você consegue / Sem necessidade de ganância ou fome / Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas / Compartilhando todo o mundo
Imagine todas as pessoas / Compartilhando todo o mundo
Você pode dizer / Que sou um sonhador / Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia / Você se juntará a nós
E o mundo viverá como um só
Tenho a esperança de que um dia / Você se juntará a nós
E o mundo viverá como um só
- Fato, estou Lennon de dar dó e nó na cabeça!
Que essa dor nos faça crescer.
Saibamos agradecer o que esse momento tem a nos ensinar.
- O que isso quer nos dizer?
- Por que chegamos neste estágio?
- Qual é a minha parte nisso?

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