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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

gratidão


E, esta pessoa foi às lágrimas em pleno voo...
Parecia um filme.
Quando tirei os óculos para secá-las, pingaram nas páginas do livro.
- Não, isso não é um filme da Sessão da Tarde! - era eu sentadinha ao lado da janela, sobre a asa.
- Por que não prestei atenção que o voo estava quase vazio quando fiz o check in? Eu que adoro paisagem? Ah, paciência, dá para ver um pedacinho da paisagem...
E lá vamos, vista espetacular do oceano com todas as suas cores e matizes, o sol generoso dando um brilho extra e a ilha vai ficando para trás.

- Poxa, faz um tempão que não viajava durante o dia – pensei – tão bonito!
O oceano confundiu-se com o céu no horizonte e já não sei mais o que estou vendo. Somente o céu infinito, talvez.
Surgem algumas nuvens, pingadinhas aqui, acolá!
E logo mais observo que abriram uma caixa gigante de algodão, aquele algodão que vem embrulhado num papel azul escuro, que parece violeta de genciana.
Esparramaram o algodão, um rolo gigante foi aberto! Por certo abriram muitas caixas e cobriram quase todo o céu!
Então, lembrei o meu primeiro voo.
Naquele dia desejei que todo o ser humano tivesse a oportunidade de voar, pelo menos uma vez na vida.
São tantas maravilhas e é tanta poesia reunida num momento mágico: momento passarinho! Momento grandioso do universo, momento da natureza soberana de todas as infinitas belezas!
E, absorvendo aquilo tudo, percebi o nível de lágrima dos meus olhos subindo.
E se encheram e iriam verter. Já vi a ponta do meu nariz ficando vermelha. E elas verteram.
 - Mas eu sou... - pensei:
- um fiasco?
- não.
- uma manteiga derretida?
- nunca.
- uma chorona?
- pode ser.
Gratidão pela dádiva de estar viva!
Dádiva de me alegrar e ficar estupefata diante da natureza.
Enxuguei as lágrimas!

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