Assisti “O Olho Azul da Falecida”, no teatro da UFSC.
Cheguei
cedo, estacionei o carro, comprei meu ingresso e fiquei parada na calçada,
porque o teatro ainda não estava aberto para o público.
É tão
interessante parar/ficar em lugares que você nunca para.
Observar! É tão
significativo ver que a gente não vê, pensa que vê, passa por ali quase todos os
dias... e não vê quase nada!
Estava
com fome, mas não sabia se me aventurava para comer alguma coisa.
Atravessar pela
praça naquele horário não me parecia muito convidativo, contornar pela calçada
seria a morte dos pés...
Fiquei
por ali, me equilibrando nos saltos – foi uma ideia de jerico colocar aquele
salto alto num dia que começou cedo e acabaria mais tarde que o habitual.
Eis
que surge uma pessoa que vem de dentro do teatro.
Começamos uma conversa. Ela
faz parte do grupo Teatro Sim... Por que não?!!!
Ela
e o pai participam do espetáculo, ele no palco e ela operando o som.
Trocamos
algumas ideias, ela me deu dicas sobre ‘oficinar’ teatro... eu falei da minha
admiração pela arte e também da minha ignorância sobre termos técnicos, etc. Que
não adiantava me explicar muito naquela linguagem, pois eu entenderia patavina.
Admirar, gostar não é conhecer! Legal, não?
Então,
chega a hora de entrar em cena, eles no palco e eu de adentrar ao teatro.
Uma
cortina negra e pouco mais de vinte anos me separavam do pequeno auditório.
Passo
pela cortina e parece que quem vai estrear sou eu!
Uma
emoção toma conta de mim, e até meus olhos se enchem.
Já
estive naquele palco, na época da universidade, com um nariz de palhaço... Foi um
trabalho da disciplina de ética.
Escolho
uma poltrona no meio, na terceira fila – não é o melhor lugar – mas o que
importa?
Eu
queria estar muito perto, ver tudo, tudinho. Esquadrinhar cada metro quadrado,
aspirar aquele cheiro característico – que uns torcem o nariz e exclamam: mofo!
Aquela atmosfera me arrepia de puro prazer, ouvir o silêncio que cai junto ao
apagar das luzes, suspender o coração até a luz voltar novamente e então
entrar, entrar no mundo mágico da arte cênica, da arte em cena!

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