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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

terça-feira, 31 de julho de 2012

monólogo

- fez tanto frio no inverno passado?
- não lembro...
- puts, tá muito frio, tá úmido, uma coisa que entranha, sobe pelo pé, se instala nas canelas...

- viu a estrada hoje?
- que M bem grande! Aquela chuvinha fina, fica tudo cinza, uma claridade chata, os caminhões... detesto ultrapassar caminhão em dia de chuva, mas é pior ficar atrás, naquela nuvem de água, parecendo que entrou numa lavação de carro!...
- só não pode esquecer da velocidade, hem?!!!
- sim, é bem bom ultrapassar outro carro sem ultrapassar o limite da velocidade... preciso cuidar, caso contrário, logo estou pagando para trabalhar com tantas multas...
- tu 'tá' meio irresponsável, né?!
- 'tô' meio tudo... igual liquidação: 50%
- só 'tô' 100% idiota. Veja o ocorrido, cheguei no hotel e esqueci de lembrar a mocinha que meu quarto deve ser não fumante (mesmo que eu sempre solicite na reserva). Então, entro no quarto e lá está ele - o cinzeiro - como se precisasse ser anunciado. Com esse tempo úmido, o cheiro é insuportável. Mas o que eu penso? Penso que como solicitei com antecedência e a mocinha da recepção me colocou aqui, não deveria ter mais quarto para não fumante disponível. Então, por isso digo que sou 100% idiota, o que eu faço? Não quero ser xarope, para que esse transtorno, trocar de quarto, etc?... baixo a cabeça, ligo o computador e vou trabalhar... até que a enxaqueca começa a latejar... eu sabia, eu sabia... não suportaria, não adianta. Então, com a cabeça explodindo, ligo para a recepção e help me, please.

- este é um dos meus temas dilemas para resolver na terapia: a submissão, a passividade, essa quase mania de pedir 'desculpas por existir'. Ligar para a recepção e solicitar para mudar de quarto é uma conquista. E pensar que minha imagem perante os outros é o oposto disto: arrogante, altiva... Penso que são os gêmeos, só pode ser... duas Eloisas opostas dentro de uma.

- é, as coisas não vão muito bem, assim como podem estar muito bem. Cortei o cabelo - radicalizei - de novo. É a terceira vez na vida que estou com cabelão e corto nuca. De passar maquininha, inclusive!

- Coragem?
- Não, não é coragem. Cabelo cresce... diria que é uma válvula de escape, tenho tanta ansia pela transformação, que na falta de operá-la no mundo, opero em mim. E não pode ser só as 'pontinhas', no estilo melhoria contínua, tem que ser aprendizagem de duas voltas, o mundo precisa passar a máquina na nuca, sair da caixinha.
- Eu estou tentando sair dela, aprendendo, preciso ensaiar o como.

- estou no caminho do desvelar-me - que caminho árduo...


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