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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

o rapto da panela de ferro

- sim, definitivamente, algumas coisas a gente só descobre com a idade... as teimosias que se acentuam, a falta de paciência, a necessidade de ter mais (paciência), enfim, acabei raptando uma panela de ferro da casa dos meus pais no último domingo...

meu pai fez um cateterismo na sexta-feira (03/02)
tudo ok, ficamos esperando as horas pós procedimento até receber a liberação e o levei para casa
ao chegar em casa ele teve uma reação tardia ao contraste
ficou com muito frio, a temperatura baixou de bater queixo
o levei de volta ao hospital para observação
acabamos ficando por lá, para maior tranquilidade, até o dia seguinte

de volta, no sábado
repassei as instruções pós exame: não fazer esforço durante 7 dias, não dirigir nos 3 primeiros dias

no domingo, logo percebi que essas instruções seriam bem difíceis do meu pai cumprir
lá estava ele carregando a térmica gigante do chimarrão com a mão do braço cateterizado
e depois empunhando a panela de ferro para cozinhar

- pai, essa panela é muito pesada, vamos usar outra panela
lá fui eu tirar o 'selo adesivo' de uma daquelas panelas da minha mãe
que nunca foram usadas - deve ter uns 25 anos...
o que ainda me irrita profundamente (dá-me terapia, vou aprender a lidar com isso)
- por que ter coisas que não se usa?

porém, depois de muitos

- pai, não pode fazer esforço...
- pai, larga isso...
- pai, não faz assim...

percebi que assim que eu fosse embora, 
a panela de ferro voltaria a ocupar o status de panela de fazer carne
então, não tive dúvidas
informei:
- vou levar comigo, no sábado que vem eu devolvo...

e lá fui eu, sob o achaque nervoso da minha mãe
preocupadíssima com o destino da relíquia

hoje, quando devolvi a panela,
 fiquei pesarosa, me sentindo meio crápula e metida demais

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