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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

domingo, 7 de agosto de 2011

Aquilo de que somos feitos

como já escrevi aqui
o teatro é o caso de amor mal resolvido da minha vida
minha paixão platônica
...
hoje, lembrei de uma peça que assisti no início dos anos 2000,
não recordo o ano com exatidão
isso também, não é importante
...
importante é a lembrança
o sentimento de desconforto proporcionado pela peça
que te tira do eixo e te põe prá pensar - muito -

acaba o espetáculo no palco
porém ele continua na tua cabeça

a peça de Lia Rodrigues
foi algo assim
sem precedentes

num espaço que não distingue o palco e platéia
os atores dançam as coreografias
as vezes nús, as vezes com roupas comuns
entre as pessoas que assistem
chocadas
não há como não chocar-se
ou pela mensagem passada
ou pela reação das pessoas que assistem

é um duplo espetáculo

o corpo
a massa, a matéria

dois momentos para mim foram muito marcantes
os atores batendo os pés
- como se estivessem marchando -
e gritando marcas de consumo
o que me trouxe um sentimento 'tapa na cara'
ver os corpos, ouvir as marcas
não há como não se perguntar - do que somos feitos?

e a parte dos corpos nús que vão se amontoando
que se batem como peixes fora da água
até silenciarem - como se estivessem mortos
parecendo uma pilha de corpos retorcidos
- impossível não pensar nos mortos de tantas guerras

e o silêncio
o fim

acaba o espetáculo
e você sai inquieto
repleto de questionamentos

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