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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

déficit

... então, ontem quando fazia o check in no hotel,
antes do rapazinho simpático da recepção entregar o cartão magnético,
observei rapidamente:
- quarto para não fumante, por favor! (eu, com sorriso meigo)
Logo li o ar de decepção que ele fez, enquanto futricava no sistema de reservas do hotel.
Preocupada, já esboçei um pedido de desculpas...
- Não se aflija, por favor... se não tiver disponibilidade...
Ele desapareceu da recepção,
e eu já comecei a me sentir culpada pela solicitação. Sofro desse mal...
O rapaz volta.
- infelizmente, Dona Eloisa, todos os apartamentos para não fumantes estão ocupados, mas eu conversei com minha gerente, e faremos uma cortesia para a senhora, vamos lhe oferecer acomodações especiais no andar para fumantes, sem nenhum custo adicional.
Fiquei com cara de paisagem.
- não tem necessidade, se faltou a observação na reserva da agência, paciência... mas não precisa se preocupar, nem fazer diferenciações...
- não, não Dona Eloisa, fazemos questão!
ok, peguei o cartão magnético e rumei ao andar dos fumantes.
Apto. 709 - final do corredor
Pensei: - nunca fiquei num quarto de final de corredor... o que deve ser diferente? O que são acomodações especiais?
Abri a porta e lá estava eu, num apto. de hotel, provavelmente, maior que minha casa:
lavabo,
sala de jantar com 6 lugares,
sala de estar,
espaço de trabalho,
mini cozinha,
saleta de TV,
quarto,
com uma banheira de hidromassagem gigantesca,
mais uma mesinha para o café da manhã e,
por fim,
o banheiro.
Ah, e cinzeiros espalhados por todos os cantos!
Tem "apenas" 5 janelas para eu verificar se estão trancadas.
Mais que rapidamente minha síndrome de Gandhi
(diriam as insolentes línguas) 
aflorou,
e liguei para a recepção:
- Estou constrangida de ficar aqui neste quarto,
não preciso de tudo isso,
não é justo,
não estou pagando por isso.
Porém, a pessoa da recepção solicitou que eu ficasse tranquila,
que não haveria problema algum em utilizar aquelas acomodações.
- óbvio, disse para mim, eu sei que não tem problema, o problema é comigo, em como eu me sinto.
Mesmo com a insistência dela de que tudo bem,
fiquei acometida de um sentimento de estar no lugar errado.
Fico pensando por que eu sou assim?
Minha estima dificilmente usa salto.
- Terapia, Eloisa, terapia...

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