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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

miles de coisas...

Essa semana aumentei meu rol de lugares conhecidos porém desconhecidos, ou seja, lugares de passagem.

(Trilha sonora que toca na minha cabeça: 'Eu não sou da sua rua', Marisa Monte)
 Estive no sul do Estado, para as bandas de Tubarão, Criciúma, Cocal do Sul, São Ludgero, Urussanga, Orleans... e de volta para casa...

A paisagem é toda linda, porém, passei por um local - Rio Maior que, se não fosse o horário de trabalho a cumprir, teria parado para curtir. Fui buscar umas fotos na web para compartilhar...


Igreja de São Gervásio e Protásio


Sobrado Bocardo
Tudo muito lindo!

A viagem foi permeada de lembranças, boas lembranças... lembranças e toda atenção do mundo na 101, afinal, tantos desvios, tantas placas, pista dupla, fim da pista dupla...

Passando por Paulo Lopes e Gamboa, já sei que logo mais vem Garopaba.
Avisto um pedacinho das dunas e lembro de uma querida amiga, uma Heloisa, que mora num cantão da Ferrugem.

Recordei nossas andanças, verdadeiras aventuras e volto para 1991, 1992...

Literalmente viajei nas lembranças...
Eloisa sem H, na época, tinha uns 19 ou 20 anos, Heloisa com H, uns 46.
Lembrei de um dia que fomos caminhar (sempre caminhávamos na praia) e subimos o morro (que é um sambaqui) que separa a Ferrugem da Barra.
Nos deitamos lá no alto das pedras - um verdadeiro paredão - e ficamos olhando as ondas quebrarem lá embaixo, vez ou outra os respingos chegavam na gente.
Parecíamos crianças curiosas fazendo arte!

A estória do morro, do fogo fátuo do sambaqui, das lendas de assombração contada pelos pescadores... um universo apaixonante.

Conheci várias famílias de pescadores, gente que dormia em esteira de palha (para o meu espanto) e viviam na maior simplicidade e tinham tudo, tudo o que o dinheiro não compra.

E ela, a Heloisa com H, conhecia o mundo todo da Ferrugem, pois aquela praia faz parte da vida dela desde a década de 70, quando eu ainda estava virando gente...

Um dia fomos para o Canto da Viúva e subimos o morro que começa com pedras negras, que parecem uma escadaria, e depois, o morro de pedras vira uma imensa e íngreme duna.
Subimos, subimos e quando chegamos lá no alto, deitamos na duna de cabeça para baixo, para ver a praia por outro angulo.

Recordo perfeitamente da lição do dia: ao olhar para o lado, me deparei, em plena duna, com uma orquídea, uma catleya lilás maravilhosa.

Como que aquela orquídea estava ali, florida, no meio da areia? Quase coberta pela areia que o vento movimentava, só um pouquinho do caule para fora da areia ostentava a flor.

Logo lembrei do orquidário do meu tio, da minha singela e tímida coleção de espécies e comecei a cavar a areia para me apossar da planta, quando ouço um sonoro NÃÃÃÃO.

Olhei para trás e lá estava a Heloisa com H, ainda deitada de cabeça para baixo, estirada na duna.

- A senhora não vai tirar essa orquídea daí! (nossa, eu ouço a voz dela direitinho) - E pode tirar esse olhar de gato que viu passarinho...

- Mas a areia vai cobrí-la, retruquei.

- E amanhã o vento vai descobrí-la. A orquídea é muito mais bonita aqui, no lugar dela. Que pretensão você achar que a orquídea precisa de ti para sobreviver.

Saudades de ti, Heloísa com H, da tua sabedoria, da poesia nas paredes, dos cafés nas tarde, da tua casa peculiar, cheia de memórias e cantinhos, com sala de balé para as meninas filhas dos pescadores, misturada com ateliê de costura... (quantos sonhos afloraram por conta das invencionices que tu colocavas em prática!)

Saudade da tua preciosa companhia e da cor que colocas na vida!

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