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Quando adolescente, tive diários. Eu escrevia nas últimas folhas dos cadernos, lia muito, imaginava histórias. Quando descobri que era possível fazer isso virtualmente, não pensei duas vezes! E se passaram muitos anos. Oito anos que estou sem escrever aqui. Estou retomando as linhas. E é um presente reler minhas linhas, minhas emoções, alegrias, frustrações, sonhos!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

repete se você tem coragem!

Certa feita, em Vênus, resolvemos fazer teatro.
O Sr. Lineo Felten liberou o salão (o palco propriamente) da Sociedade de Leituras - diga-se de passagem, um nome deveras cult! - para uma gurizada a fim de 'fazer teatro'.
Já que nada 'se apresentava' em Vênus, iríamos nos divertir fazendo 'auto graça'!
Lembro do Caco Lopes, Sandro Ceroni, Virgínia (Viki) Millius (não sei se escreve assim), Tati Kist, Vladi, Fabrício Haas e muitos outros rostos, mas não lembro nomes...
O fato foi o seguinte: fui a Biblioteca Pública e emprestei o livro 'Tiro ao Alvo', do Flávio Márcio, escrito em 1979.
Livro escrito em plena Ditadura e nós, bem, alguns de nós não tinham nascido e outros estavam no prézinho do Aparecida, ou no primário do Monte das Tabocas...
Sabíamos muito pouco - quase nada - daqueles tempos e não entedíamos muita coisa do texto, que achávamos muito pirado, com falas que pareciam código, pois tratava de coisas que não podiam ser ditas de maneira clara e nós não entendíamos bulhufas!...
Datilografei todo o livro na minha super Olivetti,
com papel carbono - valha-me Deus - a fim de propiciar cópias aos colegas!
(eu tenho o 'original' datilografado guardado... quem sabe um dia!)
Então, começamos os ensaios!
Eu era Clara Santana, esposa do Carlos Santana (Caco), mãe da Luísa (Tati) e do Jorge (Sandro). A Viki era uma narradora que tinha participações em cena... o Michelzinho (Fabrício) era o namorado da Luísa, um verdadeiro crápula!!!
O resultado dessa epopéia foi que jamais esqueci um diálogo que eu e a Tati tínhamos. Mais ou menos assim:
Tati/Luísa: Mãe, queria falar uma coisa prá senhora...
Eu/Clara: Fala minha filha.
Tati/Luísa: É que é difícil mamãe - andando nervosa - está trancado aqui na garganta há anos...
Eu/Clara: Espinha de peixe, minha filha?
Tati/Luísa:(à beira de um ataque de nervos, sapateando...) Não mamãe, é que eu... eu... bem, eu...
Eu/Clara: Desembucha!!
Tati/Luísa: É que eu, eu ainda sou virgem mamãe!!!
Eu/Clara: (perplexa) O que??!! Repete se você tem coragem!
Tati/Luísa: Virgem! Virgem!
Eu/Clara: (lamentando-se) A gente cria uma filha com amor, com carinho, com desvelo mesmo, prá dar nisso que deu, ou aliás, que nem deu? Vou já já contar pro seu pai...

Então?!
Nos divertíamos muito, ríamos demais naquele palco!
E vez em quando, ainda disparo um 'repete se você tem coragem?!!' para as situações inusitadas do meu dia-a-dia!

Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!

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